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domingo, 31 de agosto de 2014

Uma pessoa folgada

Que a Elza era uma chata e folgada, eu já sabia desde os primeiros dias depois da nossa lua-de-mel. Não fazia nada e estava sempre cansada, sempre reclamando que não tinha tempo para isso, que não tinha tempo para aquilo, que estava com dor de cabeça e outras baboseiras.

Mas que ela era uma bruxa só estou descobrindo agora. Digo e explico.

Nos cinco anos do nosso casamento ela só trabalhava meio-período, das sete da manhã até a uma da tarde. Em vez de voltar direto pra casa como uma mulher que sabe das suas responsabilidades, ela passava primeiro na casa da mãe dela. Isso todo santo dia. Para fazer faxina, fazer comida, levar a velha no médico, sei lá o que mais.

Eu dizia:

“Isso não está certo, filha. Você não é empregada da sua mãe. Ela que contrate alguém pra ficar lá com ela. Você não pode deixar de lado as obrigações da sua casa pra correr atrás dos problemas dos outros! Aquelas inúteis das suas irmãs podiam fazer a parte delas, não podiam?”

E ela:

“Não tem outro jeito não. Minha mãe não tem dinheiro pra contratar ninguém, e as minhas irmãs não estão nem aí. Nem pra ajudar no serviço da casa e nem pra pagar uma empregada. Que é que eu vou fazer? Não posso deixar a minha mãe sozinha, né?”

Nesse ponto eu desconversava porque já adivinhava onde ela estava querendo chegar: trazer a mocreia pra morar com a gente.

Daí o que acontecia? Eu chegava em casa do trabalho e a janta não estava pronta porque ela ainda estava lavando a roupa ou fazendo outra coisa qualquer. Eu até que tentei ser legal, passei a chegar mais tarde, ficava fazendo hora na rua só pra dar mais tempo pra ela terminar as coisas, mas não adiantava muito não.

E na hora do vamovê? “Ai, que estou cansada! Ai que estou com dor de cabeça!”

Não era só de noite que dava problema não. Quantas vezes não cheguei atrasado no trabalho porque tinha que ficar esperando ela passar a minha roupa? Que já devia estar passada e guardada, mas não! Ela ia lá na área de serviço pegar do varal pra passar bem na hora de eu sair.

Olha, nem sei como aguentei cinco anos.

Agora veja o que está acontecendo. Ela foi embora dizendo que não suportava mais, e coisa e tal. Tudo bem. Não sinto falta dela não, era uma chata e folgada. Mas ela rogou praga, tenho certeza. Quer uma prova?

Venha aqui no banheiro pra ver. Repare como está criando mofo por todo canto. Isso nunca aconteceu antes, quando ela morava aqui. Nunca teve o menor problema aqui no banheiro. Mas foi só ela ir embora que pouco tempo depois começou a apretejar tudo. Debaixo da pia da cozinha é a mesma coisa. Só pode ser praga, estou dizendo.

Sinceramente, não sei o que fiz pra merecer isso.

Imagem: http://www.thehousewifewannabe.com

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