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quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Pulseirinha perdida

Manhã de domingo fria e chuvosa. Muito cedo. Lá vou eu andando pela rua quase deserta. Se pudesse estaria também, como a maioria das pessoas naquele momento, debaixo dos cobertores. Mas nesse dia isso não era possível. Rua molhada e escorregadia: é melhor olhar onde se pisa. E justamente lá, onde se pisa, um brilho me chamou a atenção. Abaixo-me para examinar o fenômeno e encontro uma pulseirinha toda suja de lama escura.
Desenho de estilo antigo, cor de ouro velho, cravejada de pedras incolores muito brilhantes. (Ouro? Diamantes?)
De quem será? Não há ninguém nas proximidades; quem perdeu deve estar longe. Deve ser alguém muito descuidado para perder na rua uma joia tão linda.
Olhando melhor, vejo que é uma pulseirinha de criança. Uma garotinha de uns sete, oito anos, foi quem a perdeu. Que pena, há de sentir falta. Olho em volta e realmente não vejo ninguém. Não tenho a quem devolvê-la.
Levo para casa e limpo a peça com muito cuidado. Ficou mais bonita, assim limpinha. O brilho das pedras é notável. Não paro de pensar na garotinha que a perdeu.
Dias depois levo ao relojoeiro. Ele faz um teste rápido e diz que aquilo não é ouro não. Concluo que as pedras não devem ser diamantes. Menos mal para a minha consciência.
Já que não posso devolvê-la nem usá-la, nem tenho para quem dar de presente, guardo-a em uma caixinha bonita forrada de veludo vermelho escuro.
Uma homenagem secreta à menininha que deve ter levado uma grande bronca da mãe mesmo sem ter culpa nenhuma, tadinha: o fecho estava defeituoso.


Imagem: http://1000wallpaper.blogspot.com.br

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