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terça-feira, 2 de setembro de 2014

Tesouro

Aquele menino adorava coisas brilhantes e reluzentes. Juntava caquinhos de vidro, continhas perdidas de colar, fragmentos de correntinhas quebradas e tudo o mais que se parecesse com pedras e metais preciosos.
Já que não tinha um baú de pirata e nenhuma caixa de madeira, colocava tudo dentro de uma lata vazia de leite em pó, bem tampadinha.
Uma noite, na hora de dormir, contou à avó que havia brincado de pirata e enterrado o seu tesouro perto da goiabeira, lá no fundo do quintal.
Sua avó coçou o queixo, muito pensativa. E perguntou:
“Por acaso tem alguma moeda nesse tesouro?”
“Tem sim, vó. Aquelas duas moedinhas que ganhei do padrinho.”
Ela pareceu preocupada.
“Olha, meu filho, não presta enterrar dinheiro, viu? Se a pessoa morrer, ela tem que voltar lá da outra vida pra pedir a alguém que desenterre, senão sua alma nunca vai ter descanso.”
O menino arregalou o olho, assustado. Jogou pra longe as cobertas e correu, descalço mesmo, pra desenterrar a sua latinha. Logo ele, que tinha medo de escuridão. Mas nessa hora não pensou nas assombrações nem nos bichos nem em nada. Sequer lembrou-se de levar a sua pazinha. Passou por debaixo da parreira de chuchu, pisou sem dó no canteiro de cebolinha, chegou perto da goiabeira e cavou com as mãos, bem depressa. Ainda bem que o buraco era raso e a terra ainda estava fofa.
Voltou pra dentro com a latinha; o pijama sujo de terra, os pés e as mãos em triste estado.
“Menino, que desespero foi esse? Não precisava tanta pressa pra desenterrar!”
“Precisava sim, vó. No catecismo ensinaram que a gente tem que rezar de noite porque se morrer dormindo a alma vai pro céu. Quer dizer que a gente pode ir dormir vivo e acordar morto. Então imagina se eu morresse dormindo com o tesouro enterrado! Ia ter que voltar e pedir pra senhora desenterrar.”
“Então eu desenterrava, ué! Você pensou que eu ia ficar com medo do seu fantasma? Não ia não!”
“Eu sei, vó. Mas o perigo é que se eu voltasse pra cá, podia não achar o caminho de volta para o céu. Já pensou eu virar alma penada? Cruz credo!”
“Eita menino inteligente!”, conjecturou a avó, toda orgulhosa. “Pensa em tudo! Esse quando crescer vai ser doutor.”

Imagem: http://embracinglife-rose.blogspot.com.br

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