Onde comprar "Os meninos da Rua Beto"



Divirta-se com um livro diferente de todos os que você já leu!

"OS MENINOS DA RUA BETO"

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http://inquietovagalume.blogspot.com.br/p/os-meninos-da-rua-beto.html

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sábado, 12 de dezembro de 2015

Era esperada uma flor, mas...

Naquela tarde abafada
daquele distante verão
nasceu uma cebola.

Cada cebola tem os seus atributos;
nada sei das outras cebolas,
mas esta é assim:

A camada externa parece ser doce
mas não é
(o sabor é azedo com notas picantes, e retrogosto amargo sobre um leve toque de mel).
Simula ser transparente
mas não é
(embora deixe toda a luz entrar, pouca luz deixa sair).

A seguir, uma camada feita de olhos.
Olhos por todos os lados.
Olhos que nunca piscam,
que tudo olham e nunca se cansam de olhar.

Abaixo dessa, vem a camada das perguntas.
Breves e demoradas,
fúteis e profundas,
algumas já obtiveram resposta;
a maioria permanecerá eternamente irrespondida.

A próxima é a camada das perplexidades.
Essa é a camada mais grossa,
repleta de perplexidades ásperas e suaves 
(com alguns maravilhamentos de permeio).

Depois vem o núcleo da cebola:
um caroço aproximadamente esférico
que pode ser macio e pode ser duro
(alternadamente ou ao mesmo tempo),
que pode ser escuro e pode ser luminoso
(alternadamente ou ao mesmo tempo),
que pode ser quente e pode ser frio
(alternadamente ou ao mesmo tempo),
e todas as combinações imagináveis das possibilidades acima.

Por fim, no centro desse caroço,
lá onde ninguém jamais terá acesso,
existe uma coisa
que não se sabe o que é, nem o que foi, e nem o que virá a ser
(se é que virá a ser...

(clique na imagem)

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Emilianismos

Certa vez a boneca Emília ficou sozinha no Sítio do Pica-Pau Amarelo quando todos os demais moradores foram fazer uma viagem. Então, sem ter ninguém para atrapalhar, ela resolveu colocar em prática algo que já vinha planejando há tempos: uma reforma na natureza.
Quando os outros voltaram fizeram com que ela revertesse a reforma; afinal, entre outras coisas, era um absurdo abóboras nascendo em árvores. Já pensou você sentado sob uma árvore lendo um livro e de repente uma abóbora cai na sua cabeça?
A única novidade mantida foi o apito do leite ao ferver, porque a Tia Nastácia gostou da facilidade.
Essa história me faz pensar em como seria bom podermos fazer reformas sem ter os empecilhos da fria lógica e da crua realidade a nos impedir.
Tudo isso para dizer que - muito emilianamente - eu sei como resolver os problemas do mundo. A ideia é simples: conectar todas as mentes humanas, de maneira que o prazer de um passe a ser o prazer de todos, e a dor de um também passe a ser a dor de todos.
Dessa forma, para que todos pudessem ser felizes, todos teriam que ser felizes.
O egoísmo humano faria com que todas as infelicidades fossem prontamente rastreadas, identificadas e solucionadas. Só assim o conforto geral seria preservado.
Infelizmente não vivemos no Sítio do Pica-Pau Amarelo, então essa reforma não é possível.
Só resta mesmo seguir aquele antigo conselho: amar ao próximo como a si mesmo. Complicado...

Imagem: http://blogdositiodopicapauamarelo.blogspot.com.br

domingo, 10 de agosto de 2014

O tempo é a quarta dimensão

Então um dia ela voltou àquele lugar onde fora tão feliz.
Sabia de antemão que tudo estaria mudado, que a época da felicidade havia sido outra, mas o lugar era aquele.
Olhou em volta e compreendeu que não podia esperar nenhuma mágica. Que não tinha entrado em uma máquina do tempo. Mas o lugar era aquele, sim.
Encostando a mão nas paredes, parecia sentir uma vibração.
“Aqui existe alguma coisa que tem a ver comigo. Eu deixei um pouco da minha energia neste lugar. Os momentos felizes e as pessoas queridas estiveram aqui. Alguma coisa ficou de tudo isso.”
Ficou? Será que ficou mesmo?
Depois de uma certa hesitação, ela foi embora. O lugar era aquele, mas o tempo não era. Não adiantava permanecer ali. Fantasma de felicidade não é felicidade.
A inteireza das coisas depende de todas as suas dimensões. Uma delas estava faltando, e faltaria para sempre. Passou. Não volta mais. Morreu. Adeus.
Imagem:
http://veronnikafra-forever.blogspot.com.br

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Bibi

Uma certa manhã, naquele estado entre o sono e a vigília, naqueles momentos em que a realidade e o sonho dissolvem os seus contornos e se misturam, ouvi uma criança gritando angustiadamente:

“Bibi! Bibi! Bibi!”

Era tão triste o seu chamado, tão tocante e doído, que tive certeza de ser a expressão de uma grande perda.

Quem era Bibi, para essa criança? Uma babá, uma irmã, uma amiguinha?

Quem quer que fosse, era alguém que estava indo embora. Ou que já tinha ido. Para não voltar.

Ela continuava chamando: “Bibi! Bibi! Bibi!”

A sua tristeza começou a entrar em mim e passei a sentir a sua dor. Existe maior padecimento do que a perda de alguém que se ama? É uma noite fria que entra no coração e lá permanece para sempre. Uma escuridão e um desamparo que jamais cessarão.

Acordei. Não era uma criança gritando. Era um passarinho cantando. O seu canto havia fluído para dentro do meu sonho e lá foi transmutado em um lamento de adeus.

Se não existia criança, se não existia Bibi, de onde tinha vindo toda a melancolia que experimentei?

Quem era a minha Bibi?

Imagem: http://www.leisacollins.com

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Luz Pedra Diamante Flor Cintilante

LUZ
A letra "ele" da palavra luz representa a sua leveza; "u" traz ideia de escuridão, das trevas que são o meio onde a luz existe; "z" é a velocidade.
Nada há mais leve e mais veloz do que a luz dentro do abismo escuro do espaço.

PEDRA
Nesta palavra a sílaba "dra", que soa como um pequeno pedregulho revirando-se na ponta da língua, contém a essência do objeto "pedra". A sílaba "pe" (pronunciada "pé") transmite ideia de movimento.
Seja o movimento da pedra rolando colina abaixo, seja o movimento através do tempo caracterizando a sua perenidade.

DIAMANTE
Esta é outra palavra cujo som revela a natureza do objeto.
"Dia" significa "através". Pode-se enxergar através do diamante: ele revela sua pureza por meio da transparência.
"Mante": a sílaba "man" é musical; essa música termina bruscamente no "te", como se batesse em alguma coisa dura.
Diamante é transparência (pureza) e música (beleza) encerradas (preservadas) dentro da mais dura das superfícies.

FLOR
O "efe" de flor é o prenúncio da abertura do botão. Quando o "efe" se junta ao "ele", obrigando a língua a imitar o movimento da pétala se abrindo, é o próprio desabrochar que começa a acontecer.
O "o" (pronunciado "ô") desvenda ao meio exterior a parte interna da flor que se abre. O "erre" completa o movimento das pétalas lançando-se para fora.
Assim, a mesma pronúncia da palavra "flor" já é em si um desabrochar.

CINTILANTE
"Cin" é som sedoso, que faz lembrar o brilho e a textura da seda.
"Ti-lan-te" é um carrilhão de cristal ao vento.
"Cintilante" traz à mente a imagem de uma superfície formada por fragmentos justapostos de cristal, que brilham como seda.
Não por acaso, Cíntia é um dos nomes da Lua.

Imagem: http://socialspirit.com.br