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terça-feira, 29 de julho de 2014

O ataque da batata mutante

Era uma vez um ET que morria de vontade de comer batata frita.
Os seres humanos abduzidos, levados lá para o seu planeta, viviam dizendo que sentiam muita falta de batata frita. Por isso o extraterrestre chegou à conclusão de que só podia tratar-se de algo muito delicioso. A curiosidade foi aumentando e ele resolveu obter esse alimento dos deuses durante a sua próxima missão na Terra.
Infelizmente o comandante da nave não o deixou sobrevoar nenhuma lanchonete devido ao perigo de o ovni (Objeto Voador Não Identificado) ser visto por alguém. Porém esse ET era muito espertinho, e aproveitou a chance quando o comandante ordenou que fossem a uma plantação a fim de fazer alguns “crop circles”. Então ele deu um jeito de sobrevoar justamente uma plantação de batatas. O seu plano era abduzir algumas e fritá-las sobre a carapaça de uma válvula Klystron na casa das máquinas da nave.
Pena que não deu certo. Na horinha em que o raio abdutor havia sido acionado, o comandante apareceu e perguntou, demonstrando grande irritação:
― XVBUTPWQ!!! O que você está fazendo com esse raio abdutor ligado?? Desligue já! Nós não vamos abduzir ninguém desta vez! Não leu o plano da missão?
O pobre XVBUTPWQ, muito decepcionado, desligou o raio. Mal sabia ele que já havia atingido uma planta, a qual fez um breve movimento ascendente mas logo caiu de volta. Até aí tudo bem. O problema é que o DNA do pé de batata havia sido alterado pela ação do raio.
Dias depois, quando todos os ufólogos da região já haviam examinado aqueles “crop circles” e ido embora finalmente, para alívio dos agricultores, as batatas puderam ser colhidas. A planta com DNA modificado produziu uma única, bem grande e lisinha, que foi colocada junto com as demais no depósito.
Porém uma coisa estranha aconteceu de madrugada! A batata mutante criou dois bracinhos, duas perninhas e abriram-se em sua “cabeça” dois olhos e uma grande boca.
Ela sentou-se, olhou em volta e gritou:
― Levantem-se, suas estúpidas! Vamos dominar o mundo!
As suas colegas não fizeram nada. Ficaram lá paradas, como se fossem um monte de... batatas!
A mutante ficou exasperada. Deu uns chutes naquelas mais próximas, atirou outras lá do alto do monte, gritou e berrou, mas não conseguiu ser ouvida. Por isso tomou uma decisão radical:
― Não querem fazer nada, suas idiotas? Vão ficar aí para serem devoradas pelos humanos? Já que é assim, eu vou sozinha vingar a nossa raça!
Nesse instante ela começou a crescer, a crescer, e transformou-se em uma batata monstro. Quebrou a parede do depósito e foi embora em direção à cidade. Estava a fim de devorar alguns humanos, por isso tomou o rumo da lanchonete de “fast food” mais próxima.
Enquanto ia andando pela estrada, os motoristas dos carros, ônibus e caminhões, muito assustados, batiam uns nos outros, aceleravam tentando fugir, alguns desmaiavam, e uma grande bagunça se estabeleceu. Alguém com mais presença de espírito telefonou à polícia avisando sobre o grande perigo prestes a se abater sobre a cidade.
Nesse meio tempo a batata monstro avançava com alguma dificuldade porque os bombeiros já estavam jogando jatos de água sobre ela, tentando detê-la. Apesar de tudo, não perdia a prosápia:
― Isso mesmo, humanos estúpidos! Eu adoro banho de água fria!
E continuava em frente, devagar porém resoluta. Ao atingir o centro da cidade os aviões da força aérea já a sobrevoavam.
― Pare onde está, batata monstro, ou seremos obrigados a jogar uma bomba sobre você!
Ela olhou para cima, fez um gesto obsceno na direção dos aviões, e continuou seu caminho.
Não tiveram escolha. Jogaram o projétil sobre a batatona. Numa demonstração de que não estava nem aí, ela abriu a enorme boca e simplesmente o engoliu. Depois ainda deu uma lambida nos beiços e disse:
― Delicioso! Quero mais!
Pobre e infeliz tubérculo. Toda aquela arrogância não lhe serviu de nada. Assim que chegou à sua barriga, a bomba explodiu.
O que aconteceu em seguida? Uma grande quantidade de batata frita voou em todas as direções. Uma nuvem de batata frita obscureceu o céu. Começou a chover batata frita e o povo correu a fim de recolher a maior quantidade possível.
― Batata mutante é muito mais gostosa, diziam todos.
O entusiasmo era tanto que ninguém percebeu um ovni parado logo acima do local da explosão. E ninguém ― nem mesmo o comandante ― reparou quando um bracinho longo se espichou para fora da janelinha redonda, e uma mão cinzenta com três dedos muito compridos catou uma bela porção de batata frita. 

Imagem: http://cryptid-creations.deviantart.com

4 comentários:

Isie Fernandes disse...

Kkkkk Muito bom, Zulmira! Amei! :D

Zulmira Carvalheiro disse...

Obrigada, Isie! :)

Michel Filipe disse...

Realmente diferente, esse me fez rir. Bom texto. Bjs

Zulmira Carvalheiro disse...

Que legal, Michel! O objetivo foi exatamente esse: divertir.